«Tenho pensamentos que, pudesse eu trazê-los à luz e dar-lhes vida, emprestariam nova leveza às estrelas, nova beleza ao mundo, e maior amor ao coração dos homens» Fernando Pessoa

Blog da Sara

31
Jul 08

 No dizer de um dia do Zé Manel há momentos muitos especiais para nós. Únicos e irrepetíveis. Pode ser uma viagem. Um pôr-do-sol. Para outros um filme. Mas sempre uma história de encontro. Neste caso um blog com uma admiração em comum. E uma história de encontro que se vai escrevendo aqui e acolá, seguramente nos nossos corações. Depois dele nada é como dantes.

Fui conhecendo a Sara entre linhas. Na dedicação a uma actriz que admira revelou a sua pureza de alma, a sua interioridade, a sua integridade. Revelou também um enorme empenho em dar tudo de si a quem, com ela, comungava do blog. Descobri uma adolescente cheia de sonhos e com um raro dom para a escrita! Agradeço a Deus por existir na minha vida! Porque a Sara tem a capacidade de acordar a ternura que trazemos no coração. Porque com ela aprendemos o que de facto conta e a vida fica mais bonita, com mais cor e mais sabor! O mundo é melhor porque a Sara existe!
E na construção da nossa amizade sou convidada tantas vezes a revisitar os meus 16 anos. Era o tudo e o nada. A pressão do que se diz normal e eu. O que devia fazer porque era assim e o que eu sonhava. E como tantas vezes me sentia impelida a ir pelo que se designava normal porque a vida não era para sonhos. Tenho, Graças a Deus, uma Mãe que sempre sonhou comigo. E que me ensinou que vale a pena sonhar sempre, “…porque de cada vez que um homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida por entre as mãos de uma criança…”. Porque há sempre lugar para o nosso sonho se lutarmos por ele sem medos. É importante saber vencer os nossos medos. E perceber que só seremos felizes e só cumpriremos a nossa vida se concretizarmos o nosso sonho.
Deixo-te hoje, Sara, um texto de alguém que muito admiro (Padre Alberto Neto) e que um dia também escreveu a uma Sara.
“Ouve, Sara, ouve:
Disseram-te: minha filha, tu és isto e aquilo. E eu digo-te: tu és como és Sara.
Disseram-te: as coisas são o que são. Querer que elas sejam outras é tolice e pecado, presunção, sonho infantil, revolta. E eu digo-te: transforma o mundo Sara.
Disseram-te: faz bem o que tens a fazer, respeita a lei, põe-te no teu lugar. E eu digo-te: parte Sara.
Disseram-te: minha filha, vela pela tua saúde, procura ser normal e sã e comportar-te sempre como deve ser. E eu digo-te: muda a tua fraqueza em força e sê livre, Sara, minha irmã!”
Há lugar para o teu sonho e para o teu talento. És convocada por Deus a por a render esse talento. Que resposta lhe dás?
 
Maria Teresa
publicado por Sara e Teresa às 21:44

  Olá, eu sou a Sara. Nasci há 16 anos neste mundo a que chamo casa. Desde cedo me deram a conhecer as coisas básicas da vida que, na minha ignorância infantil, ansiava aprender depressa. Queria ser grande. Sim, viver como os grandes, ter a casa dos grandes, a liberdade dos grandes, ser por fim alguém com muita importância. Os anos passaram, as ilusões de criança foram perdendo a cor e percebi que afinal o mundo lá fora não era como o pintara, tudo não passara de um sonho. Um simples e puro sonho que me era roubado e arrancado das minhas frágeis mãos, incapazes de o segurar.

  Percebi que afinal isto não era o paraíso. Cresci. Sozinha aprendi a ver a realidade que os adultos me tentavam esconder - descobri a dura verdade de que me queriam proteger. Depressa me fechei ao que me rodeava, num batalha intrínseca por um pouco de Sol. Não era pedir muito, apenas queria um pouco de luz no meio da escuridão... Acordei cansada da fraqueza que me colava ao chão, corri sem destino, falei sem ter assunto. Quis perder anos, voltar ao passado, àquela idealização intemporal que me movia e deixava sorrir. O tempo cruel não me fez a vontade. Fui obrigada a seguir em frente.

 

  Agora páro. Estática olho à minha volta. Nada mudou. Ainda tenho a concepção utópica de criança; acredtando que no meio deste aglomerado que me sufoca acabarei por encontrar um pouco de ar. Ainda espero no mesmo sítio, à mesma hora, sem saber bem pelo quê; contudo, sabendo que por muito que espere nada chegará.

 

  Olá, eu sou a Sara, tenho 16 anos. Hoje me dou a conhecer.

 

 

 

Sara Quelhas

publicado por Sara e Teresa às 19:37

Autoras:

 

Sara Quelhas

Mª Teresa Corte-Real

E-mail:

 

saraeteresa@sapo.pt

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