«Tenho pensamentos que, pudesse eu trazê-los à luz e dar-lhes vida, emprestariam nova leveza às estrelas, nova beleza ao mundo, e maior amor ao coração dos homens» Fernando Pessoa

09
Ago 08

  Ensinaste-me que a vida é mais do que aquilo que está à vista e menos do que as perfeições que idelizamos. Fizeste-me acreditar que era dona da minha vida, desde que aceitasse também ser comandada por algo mais que eu, que nós, que tudo o que conhecia.

Disseste-me que iria sofrer para depois ganhar força, levaste-me a aceitar as minhas limitações humanas - e como poderia lidar com elas.

  Contigo aprendi a estar sempre aberta a novos horizontes, descobri que apesar dos obstáculos que a dura realidade me atirava, podia sempre contar contigo para me levantares. Era pequena, não sabia o que pensar de tudo aquilo que me davas a conhecer, mas aceitava tudo porque te amava; sim, como quem ama um amigo mais velho, com mais experiência de vida, e disposto a ajudar-nos na caminhada que já foi a dele.

  Cresci e o tempo afastou-nos. Levou-te para longe, fez-te chorar, fez-te sofrer como não merecias, transportou-te ao limite quando suplicavas por paz - sim, aquela paz a que me ensinaste a dar valor, aquele ar puro que aprendi a guardar no fundo meu coração. A minha vida sem ti nunca teria sido a mesma.

 

  Agora olho para trás e quase choro. Tenho saudades daquele tempo em que davas a mão, em que me aconselhavas e protegias - em que estavas lá sem pedir nada em troca. Morro de saudades tuas e de todos os instantes que partilhámos.

  Um dia partiste sem me avisar. Tudo aquilo em que aprendera a acreditar caía a meus pés e eu, sozinha como nunca antes, tive que descobrir como reinventar. Doeu, sim, fulminou cá dentro, levou-me ao mais profundo abismo... Fez-me desejar renascer, morrer, sorrir, chorar - fez-me querer ser o que não era, obrigou-me a reconhecer o que eu me recusava a ver. O destino foi cruel, o seu fruto amargo.

  Mas afinal, tudo foi como me ensinaste a viver. A proteger-me, a aceitar a minha vida, a crescer sempre para melhor, tentando ser um modelo especial.

 

  Acreditei e aceitei todas as palavras que me proferiste - e fiz delas a minha lei. No entanto, disseste-me que a dor era passageira, e eu ainda hoje sofro por ti.

 

Sara Quelhas

 

publicado por Sara e Teresa às 21:30

Autoras:

 

Sara Quelhas

Mª Teresa Corte-Real

E-mail:

 

saraeteresa@sapo.pt

arquivos
mais sobre mim
Agosto 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9