«Tenho pensamentos que, pudesse eu trazê-los à luz e dar-lhes vida, emprestariam nova leveza às estrelas, nova beleza ao mundo, e maior amor ao coração dos homens» Fernando Pessoa

23
Ago 08

Cresceu dentro de mim um sentimento inigualável e inexplicável, ao qual sempre quisera fugir. Numa incerteza imperfeita duma espera sem fim, acabei perdida num labirinto incompleto mais forte do que qualquer outra experiência de vida. Mergulhei numa idealização platónica de um futuro passado, ao qual jamais saberia escapar.
Realizando-me numa esperança sem nome, num vazio momentâneo, acabei por criar um novo ideal, uma nova vida. Já não sei quem sou - a minha existência tornou-se opaca e inconstante - ferida da vida, cansada de lutar, mergulho no abismo que já não consigo evitar.
Estou perdida porque, pela primeira vez, concretizo e conheço a vida que me foi destinada - renego parte de mim, pois algo mais forte me comanda. Na sobrevivência relativa de uma realidade banal, acabo por construir a ilusão em detrimento da perfeição que escolhi há muito.
Há um todo que me submerge e sufoca - não sei o que sinto, mas sou feliz assim. Consigo escrever entre traços ténues de uma criação inacabada, palavras que jamais ousaria pronunciar. Algo cresceu dentro de mim - algo mais forte do que a minha própria vida e contéudo.
Perdi-me de mim, procuro a saída mas não sei se necessito verdadeiramente. Nego o que sinto com medo de o tornar realidade e não o saber viver. Talvez seja fraca, talvez não saiba o que construir, mas no meio de tantas (des)ilusões e inconstâncias vividas, nenhuma certeza me parece mais forte do que esta: "Amo-te".

 

 

Sara Quelhas

publicado por Sara e Teresa às 22:21

Autoras:

 

Sara Quelhas

Mª Teresa Corte-Real

E-mail:

 

saraeteresa@sapo.pt

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