«Tenho pensamentos que, pudesse eu trazê-los à luz e dar-lhes vida, emprestariam nova leveza às estrelas, nova beleza ao mundo, e maior amor ao coração dos homens» Fernando Pessoa

25
Ago 08

A nossa vida, o que vivemos, é fruto e consequência das nossas escolhas e opções. E assim nos vamos determinando, construímos o que somos e o que queremos ser. E muitas vezes são escolhas difíceis e dolorosas, a encruzilhada de caminhos é tanta que vamos andando por tentativa erro. Vivemos à procura e numa zona de cinzento. Há escolhas que não implicam grande coisa mas há as determinantes.

 
Adoro o Nelson Évora. Estou-lhe grata. Muito grata mesmo e as lágrimas corriam-me ao ver subir a Bandeira e a ouvir o meu Hino. Já percorri alguns jogos olímpicos e como tudo mudou!
Obrigada de coração Nelson! Pela medalha e por ter escolhido ser português! É um orgulho. Porque não é só um excelente atleta mas um excelente Homem. Mais importante ainda.
Obrigada Vanessa! Obrigada também pelo que demonstrou ser como pessoa para além da atleta que é.
Obrigada a todos os que lá estiveram mesmo sem medalhas. Porque é muito duro chegar lá, conseguir participar. Exige muito. Muito que eu, por exemplo, não consigo… Obrigada Gustavo Lima porque só quem nunca velejou pode não dar valor e não perceber as suas lágrimas. Quem se riu delas é que foi ridículo. Também eu chorei.
Nunca vi tanta discussão à volta dos Jogos Olímpicos em Portugal. Como há uns anos em Portugal com o futebol. E sobretudo nunca vi o País tão preocupado com os seus impostos! Começo a achar que uma boa campanha é transformar todos os assuntos sérios de Portugal como a economia, o desemprego, o orçamento de estado, a situação que o mundo vive, etc. em modalidades desportivas. Talvez consigamos que os portugueses se interessem e participem de forma activa na cidadania portuguesa. Sobretudo a um ano de eleições. Podia ser que assim não ganhasse, como de costume, a abstenção.
Mas entristece-me a maneira como somos pouco unidos e pouco coesos. Somos nós que damos cabo de nós próprios, os primeiros a bater em nós. E esta falta de coesão entre nós sai-nos muito cara porque não nos torna fortes e competitivos como nação, num mundo cada vez mais competitivo. Começo a achar que bem comum e nós são palavras que não existem no dicionário de muitos portugueses…
Vivemos a cultura do sucesso (bem diferente daquilo que move os atletas verdadeiramente olímpicos como o Nelson, Vanessa, e tantos…) e do sucesso fácil. Não nos apercebemos que temos que lidar o triunfo e o desastre como impostores que são. Mas sabemos julgar e apedrejar imediatamente quem não consegue. Vivemos a religião do sucesso. Quem é verdadeiramente bom não se mete nisto.
Não é a mensagem das olimpíadas a união das nações? Como unir nações se um dos países passa a semana a discutir so diz que disse e nem unido é?
Optar pelo pobre não nos torna mais ricos e optar pelo fraco não nos torna mais fortes. Mas é o único agir verdadeiramente criador de humanidade.
Maria Teresa
publicado por Sara e Teresa às 01:00

Autoras:

 

Sara Quelhas

Mª Teresa Corte-Real

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